Em um mundo onde o sucesso costuma ser medido pelo tamanho da conta bancária, pelo imóvel dos sonhos ou pelos bens acumulados, o psiquiatra Javier Quintero faz uma provocação valiosa.
O especialista em saúde mental desafia as pessoas a acorda todos os dias com um propósito claro e alinhado a seus valores. O resultado: pessoas verdadeiramente mais feliz, independentemente do tamanho de sua casa.
Em entrevista ao portal Infosalus, da agência Europa Press, Quintero analisou o fenômeno moderno em que cada vez mais pessoas se sentem profundamente insatisfeitas, mesmo tendo todas as suas necessidades materiais plenamente atendidas.
Essa frustração crônica acontece porque a sociedade construiu um conceito distorcido de felicidade, pautado na busca por gratificação imediata e em metas externas que não sustentam o bem-estar no longo prazo.
"Ser feliz é mais do que uma emoção passageira, é um estado de espírito holístico. Também não é uma meta ou uma conquista pontual. É, na verdade, um estado de equilíbrio e de profundo bem-estar emocional", destaca o psiquiatra.
Um dos pilares que mais sustentam esse equilíbrio é o sentido que damos às nossas escolhas diárias. Quando entendemos com clareza o que queremos construir e alinhamos nossas atitudes a esse objetivo, o caminho para uma vida plena torna-se muito mais fluido e gratificante.
A teledramaturgia frequentemente ilustra essa virada de chave. Na novela das sete da TV Globo, 'Por Você', a médica Bela (Sheron Menezzes) sempre fez questão de priorizar sua independência e nunca planejou a maternidade.
Contudo, após a trágica morte de sua melhor amiga, Juli (Lucy Ramos), ela assume a missão de criar os quatro filhos da falecida. Mesmo diante de um desafio imenso e inesperado, a médica abraça essa responsabilidade como seu novo propósito de vida.
A dedicação diária e a dificuldade de lidar com crianças de faixas etárias diferentes passa a lhe conferir uma profunda recompensa mental e emocional, mostrando que o dever cumprido por amor gera um significado único para a existência.
Na visão de Quintero, o conforto material sem dúvida facilita a rotina, mas está longe de garantir a paz interior. Para o especialista, o diferencial está em cultivar uma 'mente bem preparada', capaz de reconhecer os próprios valores éticos e afetivos.
O estudo Projeto Big Joy, liderado pela professora Elissa Epel, da Universidade da Califórnia (São Francisco), e publicado no respeitado Journal of Medical Internet Research, revelou que reservar apenas de cinco a dez minutos por dia para microações.
Entre elas, destacam-se demonstrar gratidão, contemplar a natureza ou praticar um gesto de gentileza, sendo o suficiente para elevar significativamente os níveis de felicidade e saúde mental.
Afinal, a verdadeira plenitude não reside no luxo das paredes que nos cercam, mas na certeza de que cada despertar tem um motivo real para acontecer.